Claro, que não chamei a polícia. Dã!
Fiquei meia hora olhando os prédios desconfiada.
Achei graça do palhaço desse cara.
Resolvi ir a uma papelaria.
Cômico a cara das pessoas na loja, sei que não estou apresentável, comprei papel, caneta e envelopes de carta. Gastei quase uns dez contos.
Sentei e resolvi escrever.
Prezado Pedro.
Pera.
Para tudo.
Quem escreve assim?
Sou secretária por acaso?
Não.
Amassei o papel.
Quanta dificuldade. Bosta!
Respira.
Inspira.
Pensa.
.
.
.
Pedro,
Procurei em toda a rua, mais ou menos meia hora, e não te vi. Bom, também não sei quem você é.
Pode deixar que não chamei a polícia nem posso incomodar os caras porque fiz uma coisa errada. Deixa pra lá.
Agora, para ser sincera, não sei o que você viu em mim. Branca e loira você até acertou. Agora, linda, é por sua conta e risco.
Obrigada, pela parte que me toca pelo apaixonado. Nunca recebi uma carta desse estilo. Confesso.
Relaxa, que não fiquei estressada com isso.
Você é muito engraçado e sim sou curiosa.
Ah, não é nojo quando as pessoas jogam coisas no chão. É ódio!
Elas bem que poderiam deixar a cidade mais limpa e facilitar o meu trabalho, certo?
Apareça, oras.
Prometo que não irei morder ou gritar.
Abraços,
Pat.
Ps.: Como você descobriu meu nome?
Coisas de curiosa...
Deixarei o envelope no mesmo lugar.
Será que fiz certo?
Ah, quer saber?
Problema.
Para morrer basta estar vivo.